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Clínica de Psicologia Existencial
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O que é Psicomotricidade?

Psicomotricidade (do grego “Psykhé”, ‘sopro de vida’, ‘alma’ e do francês “Motrice” ‘o que move’) se revela como ciência ao propor, para um existir saudável do homem, que MENTE, CORPO e EMOÇÕES estejam em constante interação, num movimento harmônio em todos os aspectos do existir humano: relacionamento do homem consigo mesmo, com as pessoas que convive, com as escolhas que faz, com as responsabilidades que assume e com os dilemas e dificuldades que enfrenta no seu dia a dia.
O movimento é o meio pelo qual a pessoa comunica-se e transforma o mundo que a rodeia. O corpo, a mente, o outro, o eu, a ação, o pensamento, a percepção, o real, o imaginário, a expressão, o afeto, estão estritamente ligados no homem desde a primeira idade e com o passar do tempo irão diferenciando-se e cada qual tomando sua função no desenvolvimento do indivíduo.
Lembrando as palavras de Wallon (1995) em que o movimento não é puramente um deslocamento no espaço, nem uma simples contração muscular, e sim, um significado de relação afetiva com o mundo, assim, para o autor, o movimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo. Neste contexto, pode-se dizer que o desenvolvimento motor é precursor de todas as demais áreas.
Dessa maneira, o movimento é uma significação expressiva e intencional, é uma manifestação vital do ser humano que ao movimentar-se envolvido em tal vivência, atinge o pensamento. É esta intenção que dá ao movimento um conteúdo de consciência. A psicomotricidade traz no seu bojo o domínio da dependência entre pensamento, sentimento e ação produzindo desenvolvimento e crescimento.
O mérito da Psicomotricidade está em estimular ao mesmo tempo os conteúdos do pensamento (cognitivo/racionais/mente), dos sentimentos (psicológicas/emocionais) e as atitudes corporais (gestos, atos, postura), para que, mais consciente dessa tríade, o homem enfrente com mais segurança, harmonia, controle e assertividade as diversas situações do cotidiano.

Por que a Psicomotricidade?

Nos últimos anos, um número cada vez mais expressivo de psicólogos, em suas diversas áreas de atuação – clínica, educação e organização, assim como profissionais da educação – professores, coordenadores pedagógicos, psicopedagogos e fonoaudiólogos, tem recorrido à Psicomotricidade na tentativa de compreender melhor o homem em sua interação consigo mesmo e com o mundo.

Na escola

Para entendermos a importância que a Psicomotricidade assume no contexto escolar, ressaltamos o número significativo de crianças que chegam à clínica com queixas escolares, como, transtornos de aprendizagem (disgrafia, dislexia, disortografia, discalculia), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), além de problemas na interação social como agressividade, por exemplo.
Ao pensarmos na infância hoje, nos damos conta da falta de espaço que a criança tem para brincar, seja por questões sociais ou pela própria dinâmica familiar. A violência e o medo impedem que as crianças brinquem na rua, o excesso de atividades como inglês, computação, judô, futebol, a falta de tempo dos pais para estarem com seus filhos, para levá-los a um parque, por exemplo, constituem fortes características da infância. A tecnologia presente na vida da criança desde muito cedo também é um fator de destaque no contexto atual – computador, vídeo game. Todas essas situações restringem muito o brincar da criança que é a fonte de descobertas, de aprendizagem, não só em relação com si mesma, mas em interação com o grupo. A criança é capaz de passar horas sozinha, na frente do computador ou da televisão, mas não consegue brincar de pular corda. Pode se mostrar desajeitada ao tentar subir em uma árvore, porém irá ter uma habilidade fantástica ao manusear o controle do vídeo game. As atividades acabam sendo, em grande parte, solitárias e sem estimulação motora. A criança não corre mais, não percebe os movimentos que pode realizar, não domina seu próprio corpo, sentindo-se insegura em relação ao mundo.
Essa realidade irá repercutir no desenvolvimento emocional, cognitivo e social, restringindo possibilidades nas aquisições motoras que serão a base para muitas aprendizagens escolares.
Por exemplo, a criança que não tem o domínio corporal e que, portanto, não sabe com que lado desempenha as suas atividades com maior facilidade e desenvoltura, exercendo – indiscriminadamente – ora uma atividade com membro direito, ora com membro esquerdo, terá mais dificuldade para reconhecer as noções de esquerda e direita sendo essas noções importantes num processo de aprendizagem mais sistemática. Talvez essa criança não reconheça com facilidade a diferença das letras p,b, q, d.
Toda criança se sente bem na medida em que seu corpo lhe obedece, que o conhece bem, que se sente segura e confiante ao se movimentar e ao agir. Como exemplo, podemos citar a criança que consegue se vestir sozinha ou que manuseia com facilidade os talheres à mesa é certamente uma criança mais realizada e satisfeita com suas conquistas e pode, por isso, ser mais valorizada e reconhecida pela escola, família e amigos, favorecendo a autoestima e a autoimagem positiva.

Na clínica

Ampliando essas questões podemos pensar o homem em seu contexto pessoal, que expressa no corpo o seu modo de ser. Mesmo à distância é possível identificarmos uma pessoa mais insegura ou aquela mais agressiva, assertiva, simplesmente pela maneira de se portar, andar, gesticular. O corpo é o berço de uma vivência emocional, e é justamente esse corpo um dos focos de estudo da Psicomotricidade. O quanto essas questões emocionais podem ser trabalhadas na medida em que haja uma intervenção corporal. Novas vivências emocionais dependem de uma nova relação com o próprio corpo.

Nas organizações

Por fim, citamos o homem em seu contexto profissional. A Psicomotricidade com suas propostas de vivência em grupo procura estimular e favorecer a comunicação, o trabalho em equipe, o despertar para a liderança, na medida em que faz pensar e falar aquele que participa da proposta. Valores como participação, solidariedade, espírito de equipe, entre outros são trabalhados nas propostas psicomotoras.

Assim, a Psicomotricidade procura instrumentalizar o homem, não só a partir de sua vivência corporal, mas também da vivência sócio-emocional e cognitiva, para que este, mais realizado e satisfeito com suas conquistas, perceba-se em sua totalidade vivenciando sua existência de modo pleno.




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