Falar de educação é um prazer pra mim. Falo com a “boca cheia”, porque acredito em seu poder transformador. Não se trata de demagogia. Em minha vida, isso é realidade. Nasci do ventre de uma educadora e embora não lembre, sei que de dentro de sua barriga já ouvia o be-a-bá. Bebi junto do leite materno, o amor e o respeito pelos livros e por tudo que eles poderiam me ensinar. Minha mãe sempre carregou seus amores no colo: eu, em um braço e, os livros, no outro.
Acho que todas as pessoas que realmente admiro em minha vida têm reverência pela arte de ensinar e sede em aprender. Minha mãe, ainda bem pequena, caminhava todos os dias nove quilômetros para chegar à escola. Minha avó voltou para a sala de aula depois de ter criado seus onze filhos. Velhinha, com fortes dores na coluna, ela subia os morros para adentrar nos portões daquele lugar que considerava sagrado. Minha irmã mais velha ia à escola, quando criança, no colo da professora, pois precisou ficar um ano sem andar, em decorrência de grave acidente. Como você pode ver elas tiveram que vencer muitos obstáculos para estudar. E o fizeram porque isso era mais que uma obrigação, era um sonho!
Eu e meus irmãos nunca demos trabalho para ir para a escola. Pelo contrário, difícil era nos tirar de lá… Estudávamos numa escola construtivista, que tínhamos como a extensão de nossa casa. Recordo-me de como era divertido aprender! Nós aprendíamos, rindo, jogando, conversando, pesquisando. Certamente, as experiências que vivi nesta escola, durante onze anos, aliada aos exemplos de minha avó, mãe e irmã, me levaram a ver a aprendizagem como algo prazeroso.
O tempo passou e a educação nunca perdeu o seu brilho. Atualmente, eu e meus irmãos trabalhamos em instituições de ensino e não abandonamos a sala de aula. Ora ocupamos o lugar de professores, ora o de alunos. Neste zigue-zague vamos construindo a nossa história e contribuindo para a história de outros, com a certeza de que a educação liberta as pessoas, porque as leva a ver muito além de seu próprio universo.
A educação é a arte do encontro. Se você não encontrou nada além de si mesmo, ao estudar, então nada aprendeu. Meu caro amigo, perdoe-me, mas você perdeu uma oportunidade privilegiada de lapidar almas e de ter a sua, lapidada por alguém!
Leidilene Cristina Pereira
Psicóloga – Pouso Alegre/MG
e-mail: leidy_cris@yahoo.com.br

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