O carteiro e o poeta | Espaço Cuidar | Clínica e Consultório de Psicologia Existencial | São Paulo

Espaço Cuidar

Clínica de Psicologia Existencial
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Direção: Michael Radford

Sinopse: Por razões políticas o poeta Pablo Neruda (Philippe Noiret) se exila em uma ilha na Itália. Lá um desempregado (Massimo Troisi) quase analfabetoé contratado como carteiro extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta, e gradativamente entre os dois se forma uma sólida amizade.

Breve aproximação com a Psicologia Existencial: O filme mostra de maneira singela o nascimento de uma amizade, o encontro de sentido para vida, a descoberta de tesouros escondidos no dia a dia, a importância de se cuidar das relações. E o fio condutor, que vai entrelaçando todas essas coisas, é a poesia, é a arte!

Fica muito claro, a partir do filme, o caminho que a poesia percorre para atingir o homem – não é a via da razão, pois na poesia não cabe a explicação. Ela fala diretamente aos sentidos, à sensação. É uma apreensão imediata, direta, que afeta o homem, fazendo-o compreender o sentido daquilo que chega até ele.  

E aqui cabe lembrar a diferença entre compreender e explicar, já apontada pelo filósofo Wilhelm Dilthey. A explicação traz as causas e os efeitos de um determinado evento, sempre em uma relação determinista e própria das ciências naturais. A compreensão é algo que afeta o homem e solicita uma resposta, que será a daquele homem em cada caso.

A psicoterapia também pode ser pensada nesse sentido, de um encontro entre duas pessoas que se dá pela linguagem, mas não a que caminha pela via da razão e sim a linguagem poética. Indico a leitura de um texto escrito pelo psicólogo João Augusto Pompeia, que tem como título Uma Caracterização da Psicoterapia, e encontra-se no livro Na presença do sentido – uma aproximação fenomenológica a questões existenciais básicas. Nesse texto o autor vai desenvolver essa, entre outras idéias muito interessantes. 

Para encerrar, um pequeno parágrafo do texto acima citado: “(…)A linguagem da terapia é poética. Essa linguagem busca o interlocutor em seu espaço de liberdade. Quando me expresso poeticamente, o outro não é obrigado a concordar comigo. Na verdade, não há nenhuma razão para que ele o faça, e, no entanto tenho uma grande expectativa de que ele possa me compreender, dentro da não-necessidade de compreender.”   




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