Espaço Cuidar

Clínica de Psicologia Existencial
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A vida é e continuará sendo um mistério... podemos apenas vivê-la em sua total plenitude, mas não conseguimos captá-la completamente de forma racional.
Ludwig Binswanger

Sobre o poema “Humildade”, de Cora Coralina

Gostaria de compartilhar nesse espaço um texto que recebi de Marília Parreiras Maia Siqueira, uma de minhas alunas do curso de “Psicoterapia Fenomenológico-Existencial – dos conceitos à prática”, curso dado na modalidade à distância aqui no Espaço Cuidar.

Transcrevo, a seguir, o texto de Marília Parreiras Maia Siqueira.

“Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”

Cora Coralina

Percebo, através dos textos lidos, que o Existencialismo se divide em duas dimensões: existencialismo de Sartre, Heidegger, Nietzsche e Merleau Ponty e o existencialismo teísta de Victor Frankl, Kierkegaard, Ranier Maria Rilke. Independente de base teológica, e, a seu modo, todos existencialistas são provocadores, críticos, inquietos, poéticos, instigadores, realistas, sem medo de ser o que são…

Quando li este poema de Cora Coralina, uma poeta do interior do estado de Goiás, como Drumond e Adélia Prado em Minas, fiquei encantada com a “pobreza”. Adélia mora em uma casinha de pedra, um carrinho simples na garagem, árvores no quintal, com uma mesa de madeira mineira na sua sala de jantar, e escreve a luz de velas…  a vejo na feira, na igreja, conversando com os visinhos…tudo muito pobre…estar com ela e ouvi-la falar, pois, tenho esta graça, sou praticamente sua vizinha, é embeber-se de sabedoria. Parece que a sabedoria anda de mãos dadas com a pobreza.

Estes versos falam de nossa condição existencial: a pobreza. Só a sabedoria com nossa existência trágica, nos fará descobrir esta nossa condição. E demora… até chegarmos lá, onde Adélia e Coralina chegaram, aja peleja, aceitação, tolerância, amor… Do contrário ufanamos fortes, poderosos, damos conta de tudo, e nosso corpo vivido acaba por carregar um peso morto, das nossas ilusões…

Neste poema, a Aninha, como era chamada, faz uma prece. Pede. Pede que aceite sua condição de pobreza, pois é assim que se é. Aceitar o que se é. Assumir a responsabilidade do que se é. Ser livre para ser o que é, e, para vir-a-ser, sem lamentações. Heidegger não fala de pobreza. A pobreza é melhor entendida pela boca dos poetas. Eles sabem falar de coisas sagradas, mesmo que seja para revelar-nos: homens desamparados, lançados ao devir, ser-para-a-morte. Heidegger e Coralina se aproximam.

Eles entenderam o existir. Nossa existência é trágica, há morte, dor e sofrimento. O Dasein se angustia diante de tanta pobreza. Vive uma vida inautêntica, provisória, agitada, vazia. Os apelos do ontológico, que mostram nossa pobreza, falam da nossa condição. O homem tem uma relação peculiar com o Ser. Não é como os demais entes.  Ele encontra sentido nas coisas. Sofre os condicionamentos de sua existência, mas é mais que seus próprios condicionamentos, pois é abertura às possibilidades…

O Dasein pode se fortificar. Ele pode aceitar a inexorabilidade da existência: somos seres-para-a-morte, há em nós uma pobreza ontológica, originária. Superar a angústia de morte e assumir a finitude da vida. Esta é a liberdade do homem: “agradecer a vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres…”

Frankl fala de valores vivenciais. Encontramos o sentido da vida por meio de valores de vivência. Apreciar o seu próprio existir e felicitar. Degustar e saborear a vida, os momentos que acontecem. Estamos na lua quarto crescente…o sabiá laranjeira na minha janela, o pé de feijão que nasceu sem pedir na trinca da soleira, a  maria-sem-vergonha no caminho para o trabalho…contemplar o belo, valorizar a estética da vida, surpreendermos, encantarmos com a existência: “acender eu mesma o fogo alegre da minha casa, na manhã de um novo dia que começa”.

Não há neutralidade. Sou-ser-no-mundo. Minhas vivências são lotadas de sentido e a partir delas que faço ciência. A começar em mim. No mundo, na vida, mundo-da-vida. O que tenho é minha subjetividade, minha história real, minha existência, e ela não pode ser negada, pois corre o risco de ser instrumentalizada, reificada. A existência contrapõe a essência.  A existência é dinâmica, mutável, a essência é estática. Sou, logo penso. Primeiro existo, sou existente, e assim posso pensar e buscar minha essência.

Laços e nós – sobre amor e intimidade nas relações humanas

Laços fazem referência a possibilidades afetivas da vida – os laços que podemos criar quando nos unimos a alguém.

Os nós, o sofrimento revelado nos conflitos relacionais.

Por serem mutantes, móveis e flexíveis, os laços podem ser desfeitos, são delicados, unem e sustentam, mas não sufocam, confundem ou aprisionam.

Já os nós, frutos de confusão, pressa, aperto, mistura, nunca sabemos onde estão suas pontas, nos provocam angústia e sofrimento, paralisam e impedem a liberdade.

Laços unem o que estava separado, criando beleza, harmonia, leveza. Laços estão para além das fitas que os compõem. Não é à toa que os usamos em presentes, nos cabelos e para guardar algo importante com delicadeza. Eles encantam e provocam surpresa.

Laços unem, valorizam, enriquecem. Não são uteis, enfeitam e traçam pureza.

Ao criarmos laços, não perdemos a nossa identidade, ao contrário, criamos uma nova forma com base no encontro com outra pessoa. Já os nós são sofrimentos que revelam laços ausentes, saudades do futuro, esperança.

Nós tratados com paciência e delicadeza podem ser desembaraçados e transformados nos laços de amanhã.

Beatriz Helena Paranhos Cardella

A questão da neutralidade do psicoterapeuta

Essa é um dos mais importantes aspectos para pensarmos nossa prática como terapeutas. Afirmo isso porque a terapia só acontece quando a relação cliente-profissional é estabelecida de forma a existir um vínculo positivo de ambos os lados. E como falar em neutralidade quando falamos em relação? A neutralidade idealizada, do profissional que faz “cara de paisagem”, que serve apenas como tela de projeção, não existe. O que existe é uma relação demarcada profissionalmente entre duas pessoas que compartilham sentimentos que lhe são comuns dentro de um tempo e espaço determinados, de caráter sigiloso, onde o profissional oferece uma escuta ativa e cuidadosa e o cliente expõe suas questões a fim de aproximar-se de si mesmo.

E essa relação vai sendo construído a cada sessão, a cada encontro. Por isso, não é possível planejar uma sessão e chegar com algo pronto para oferecer ao cliente, pois é preciso entrar em contato com a pessoa e perceber o que ela tem para falar naquele dia, como ela está, quais são as suas demandas para aquela sessão. Seguindo esse raciocínio, também é importante que o terapeuta se perceba, que ele possa nomear como está naquele dia, qual a sua disponibilidade, qual o seu ritmo. E aqui, duas ideias aparecem: a importância de o profissional estar sempre trabalhando as suas próprias questões – através de sua terapia pessoal, em supervisão – e como é um engodo pensar na neutralidade do terapeuta!

A neutralidade é uma abstração impraticável na relação com o outro, inclusive quando essa relação se configura profissionalmente. Com isso não estou dizendo que não precisamos ter o cuidado de estabelecer limites e pontuar o nosso papel, não é isso! Mas que a neutralidade dependerá de diversos fatores, como por exemplo, o contexto no qual esse terapeuta está vivendo.

A proposta do terapeuta é oferecer a escuta e o acolhimento daquilo que o cliente está trazendo e buscar a compreensão junto a ele, sem que nossos próprios conteúdos emerjam e se misturem com o que é do outro. Mas ao mesmo tempo eu não posso impedir que alguns desses conteúdos próprios surjam, caso contrário não seria eu, psicoterapeuta Anna Paula, mas outra pessoa.

A neutralidade deve ser configurada como a responsabilidade do terapeuta de ocupar o seu papel profissional e cuidar dessa postura, se trabalhar, se respeitar. Em determinados momentos algo que é do terapeuta pode surgir e ele tem que trabalhar isso. Não com o cliente, ali na sessão, mas ele terá que se trabalhar em sua terapia pessoal, por exemplo. E quando nós conseguimos nos entender, fica mais fácil entender o outro. Se eu me respeito, também consigo respeitar o outro.

É interessante notar que essa discussão nos encaminha para outro ponto também bem polêmico dentro da Psicologia que é o fato do terapeuta ter que abdicar da onipotência, e saber que ele tem limites que precisam ser nomeados e trabalhados. Infelizmente, sabemos que muitos psicólogos assumem esse papel de “ter as respostas” e esse será outro ponto a ser discutido em outro texto. Agora, basta pontuar que quando o terapeuta se percebe em sua humanidade, ele pode trabalhar a relação com o cliente de uma forma que também cuide dele. Como estou atendendo? Estou mais vulnerável a que questões? Estou bem quanto a isso? Estou triste? Podendo cuidar de mim, junto com o outro, dentro dessa percepção, é possível fazer um bom trabalho.

Quando o terapeuta tem um cuidado pessoal com sua própria história, com suas feridas, em alguns momentos em que o cliente abre um tema que toca nas suas feridas, ele (terapeuta) vai sentir sim, mas ele estará percebendo, ele estará observando e ao mesmo tempo o eu-terapeuta estará ali, ocupando o seu papel e fazendo o seu trabalho.

Refletir, discutir, falar sobre esse tema é muito precioso, pois a representação social da Psicologia é muito forte no sentido do saber que é mágico – o psicólogo sabe tudo e tem que explicar tudo. Mas o psicólogo precisa se trabalhar, descobrir como é o meu estar com o outro, quais são as suas possibilidades, qual a sua disponibilidade, como anda a sua onipotência.

A fenomenologia também nos ajuda muito nesse sentido, ao organizar o que é meu e o que é do outro. Essa reflexão contínua é tão importante porque ela não nos deixa cristalizar em uma atitude onipotente frente ao outro. Essa reflexão é um elemento de trabalho que nos sustenta, nos permite ver o outro, pessoa ali na minha frente, e saber que o que ele pode eu também posso, o que ele não pode talvez eu também não possa e aí eu preciso entender isso na minha terapia, com meus amigos, com minha família, comigo mesma.

A proposta do encontro terapêutico é o cuidado com o outro e aí temos que, nesse cuidado, o outro é figura e o terapeuta é o fundo, mas ele está ali, o fundo existe. É importante que se tenha uma atitude congruente, pois como vou apontar para o outro a importância do cuidado se ele vê que eu mesma não exerço esse cuidado na minha vida? E como ele vê? Bom, eu não uso apenas o verbal para me expressar – tem todo o comportamento não verbal, a sua apresentação, a organização do seu espaço, como você cuida das suas coisas, enfim… o cliente fica atento a esses detalhes também e quando eles destoam, quando há uma incongruência entre o que se fala e como se fala e o que se mostra, uma quebra acontece, um incomodo se instala. Espera-se que o terapeuta ofereça acolhimento ao cliente e que esse possa sentir-se seguro para construir uma relação de confiança. Mas como é possível isso acontecer se há incongruência, incoerência?

Por todos esses aspectos, podemos perceber a complexidade do tema, ao mesmo tempo que podemos afirmar que essa troca que se dá na relação terapêutica é muito forte, muito íntima e muito linda!

Não podemos perder de vista, nunca, que somos nosso próprio instrumento de trabalho e aí entra a nossa humanidade, nossa impotência e como psicoterapeutas, usando um termo da Arteterapia, realizamos um “ajustamento criativo” em cada situação vivida com nosso cliente. Precisamos estar atentos ao processo de “auto regulação” para dar conta das vivência com o outro, porque nós vivemos relação Eu-Tu (segundo Buber) e como é importante o contato com o limite, com a possibilidade, com a disponibilidade  e com a indisponibilidade. O terapeuta deve estar atento ao seu suporte físico, e levar em conta o limite do meu corpo – estou saindo de um processo de adoecimento, estou com cólica… principalmente quando trabalhamos com crianças e adolescentes. Se você não estiver atenta a esses pontos, você não conseguirá estar inteira na sessão com o seu cliente.

Como terapeutas, não devemos olhar só para o cliente, precisamos olhar para nos mesmos e principalmente para a relação, que é uma coreografia que vai se dando de forma singular em cada atendimento. Se você está presente no contato com o outro, se sente realmente inteira, muitas vezes sensações que surgem, imagens que vem de repente tem a ver com o universo do outro também, é um campo de troca que vai se criando e o que aparece nessa relação não vem à toa, pois é sempre uma troca, por isso que em Gestalt se fala que o terapeuta é o melhor instrumento de trabalho, é seu próprio instrumento de trabalho. As nossas sensações, nossos sentimentos, dizem algo sobre o outro também.

Então, como terapeutas, vamos nos aproximar do outro sem tantos medos, tantas defesas… é claro que o outro desperta em mim sensações e sentimentos, e isso é tão verdadeiro e tão ameaçador, que foi preciso teorizar esse fenômeno, dando-lhe o nome de relações transferênciais, transferência, contratransferência… enfim, essas relações não precisam ser teorizadas e sim respeitadas nesse contato com o nosso paciente e conosco (pessoal e profissionalmente) se quisermos, como psicólogos, desenvolver o nosso trabalho.

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Trabalhando com crianças na abordagem Fenomenológica

O trabalho psicoterapêutico com crianças acontece em um espaço lúdico, no qual o brincar é o que promove a relação criança-terapeuta, possibilitando a expressão e contato com seus sentimentos, de maneira muito natural.

Muitos profissionais pensam que é necessário aprender várias técnicas, ter vários brinquedos para oferecer, quase como se houvesse um manual que determina como deve ser a brincadeira com a criança. A brincadeira deve ser solta, despretensiosa, sincera, disponível. Principalmente no início do processo, momento em que o vínculo começa a ser estabelecido, e como psicoterapia é relação, nada mais importante do que cuidar do estar com a criança, sem preocupações técnicas ou teóricas. É claro que elas também fazem parte do processo, mas não são elas que dominam o espaço e o fazer clínico, ao menos na abordagem fenomenológica.

O profissional que está autenticamente disponível para esse encontro terapêutico saberá identificar as necessidades do seu cliente que aparecem na terapia e decidir qual o melhor momento para propor algumas atividades, mas isso não significa que haja uma regra a ser seguida.

Algumas coisas são claras, como por exemplo, para se trabalhar coisas mais profundas, certamente um bom vínculo deve estar estabelecido. Inicio de terapia não é um bom momento para atividades muito mobilizadoras, porque o vínculo de confiança está sendo estabelecido, nem o terapeuta conhece direito o cliente, e vice-versa. É importante entrar em contato, minimamente com a vulnerabilidade da criança e identificar seus recursos e isso se dá na construção da relação, no processo.

Com crianças no consultório é interessante trabalhar com propostas de atividades. Propostas que elas possam escolher se querem ou não fazer. Preservar a possibilidade de escolha em um espaço que é dela é precioso no trabalho com a criança.

Então, para oferecer uma proposta, o terapeuta deve estar atento ao vínculo com seu cliente além de levar em consideração o suporte que será utilizado na atividade, e introduzir a proposta como um projeto. O projeto será um tema que a própria criança traz, e o terapeuta capta esse pedido, através de sua observação e escuta atenta. Por exemplo, para a criança que tem muita energia e que está com dificuldade de lidar com esse potencial, é possível oferecer um projeto que trabalhe a questão do expressar-se, colocar para fora – trabalhar com argila, construindo um vulcão em erupção, brincar com um “João bobo”, fazer desenhos e dar voz a eles, estabelecendo um diálogo com sua produção…  muitas sãos as possibilidades que podem dar abertura para o terapeuta trabalhar a maneira como ela contém seus sentimentos ou como não contém. Durante o projeto – atividade – vais se dando uma linguagem simbólica, do jeito dela, no ritmo dela. Em sessões com a criança, fica um trabalho muito divertido, porque pelo brincar é menos doloroso falar de certas questões, que no caso do nosso exemplo é sobre a sua energia agressiva, por conta da qual ela é sempre mais vista, julgada, avaliada, mal interpretada como sem educação, sem limites. E abordar essa temática em sessão, de forma lúdica, é um jeito diferente de olhar para ela, respeitando-a como individualidade, e buscando compreender o que ela está dizendo com todo esse comportamento. A criança que traz essa energia, arrisco dizer, é a mais ferida e, sendo assim, ela vai ficando muito abandonada justamente porque não desperta empatia nas pessoas. E no brincar terapêutico, na execução do projeto escolhido, essa atividade promove uma empatia dela com a própria dor, e um acolhimento dela para dessa questão, porque ela vai expressar aquilo que sente e assim vamos podendo trabalhar essas feridas nas sessões.

Também podemos trabalhar ludicamente com o adulto e mobilizar as sua criança interna, mas com o adulto os conteúdos chegam com mais delicadeza, sutiliza, até mesmo pelo seu grau de autocrítica.

Como já foi dito, a escolha do tema dependerá da forma como a relação acontece naquele encontro. Ir como a proposta pronta é passar por cima das demandas do próprio cliente – seja ele uma criança ou um adulto.

Na sessão, então, o terapeuta antecipa o convite para a realização de um projeto durante a sessão, mas ressaltando que ele tem escolha de querer ou não fazer aquilo. As vezes o cliente traz um sonho, um tema, ou simplesmente diz ‘hoje eu não sei o que fazer, o que falar’… O terapeuta pode responder: “ocorreu-me de propor um jeito diferente de explorar esse tema, ocorreu-me propor um projeto para trabalhar o que vem aparecendo nas nossas sessões.” E aí, dependendo do cliente, você propõe… e no trabalho individual, vamos percebendo melhor como é a forma que cada um reage às propostas, alguns gostam de lápis, manual, dramatização… bom ter vários recursos para adaptar aos diversos momento.

Às vezes, pegar material de projetos passados e a partir daí, trabalhar aquele tema de outra forma, com outro material – explorando o conteúdo com materiais diferentes, pode ser uma atividade extremamente rica, que nos dá uma dimensão de movimento, de mudanças realizadas no decorrer do processo terapêutico.

Outro aspecto que o terapeuta deve estar atento é quanto à questão das polaridades: a vida é formada por elas. Trabalhar isso em grupo ou individual, fazendo na própria sessão o contraponto, é uma forma cuidadosa de se trabalhar com as pessoas. Por exemplo, após uma atividade que tenha sido mais introspectiva, finalizar com uma atividade que promova a expressão de sentimentos – dentro / fora. Da mesmo forma, podemos trabalhar as polaridades dor e força, fragilidade, recursos, entre outros.

O trabalho com a arte possibilita a desconstrução das defesas e pessoa fica mais aberta, fica mais acessível pelo lúdico, você pode se aproximar de sua ferida sem tantas travas, e por isso que é tão forte.

O trabalho psicoterapêutico, especificamente com a criança, tem uma sutileza e uma delicadeza – a pessoa vai entrando, vai se permitindo, vai experimentando chegar cada vez mais perto de sua essência, de seu ser autêntico. Essa é uma busca que não acaba enquanto estivermos vivos! Que bom!

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Cinema, Psicologia… e cada um como uma história

Quantas vidas temos em uma mesma vida?

São capítulos de um mesmo livro ou são livros independentes?

Através do que os filmes selecionados para os encontros pode nos provocar, escreveremos a nossa própria história e a editaremos. No final do curso, cada um terá escrito o seu próprio livrinho.

Numa semana assistiremos ao filme e na semana seguinte conversaremos sobre nós e o filme. Entre uma semana e outra, cada participante enviará um texto a coordenadora que o devolverá comentado (via e-mail).

14 encontros. Início em março.

Quartas, das 19h30 às 21h30

Criadora e coordenadora: Cristiane Donato Jatene

Psicóloga e historiados, atende em consultório próprio em São Paulo

cristianejatene@uol.com.br

Intencionalidade – ato de significar a vida

Um dos conceitos centrais que a Fenomenologia nos apresenta é o de intencionalidade. Neste pequeno texto vamos elucidar os motivos dessa importância e seus desdobramentos. Read the rest of this entry »

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A criança e o brincar na relação com os pais

O brincar é uma das atividades que pode ser mais prazerosa na relação pais e filhos. É o momento em que a fantasia e a criatividade tomam conta da situação e as ações estão a serviço de um encontro mais autêntico. E para que isso aconteça não é preciso muito esforço – basta deixar a criança conduzir, ser o personagem que ela quer que você seja e embarcar nessa viagem de sonhos e aventuras. Não requer brinquedos sofisticados ou grandes histórias já prontas. Apenas disponibilidade para estar ali, junto a ela, naquilo que é mais próprio de seu mundo – na brincadeira.

É através do brincar que a criança entra no universo simbólico e da linguagem e assim estabelece sua própria maneira de relacionar-se com o mundo. Daí o cuidado que os pais precisam ter para não podarem esse processo – oferecer brinquedos muito “prontos”, que não deixam espaço para a imaginação, pois praticamente eles – os brinquedos – brincam sozinhos, é quase um crime à infância! Bom mesmo é que a criança encontre os seus brinquedos no espaço que ocupa, com aquilo que tem à mão – e nesse contexto, uma colher pode se transformar em um avião, a tampa da panela é um excelente tambor, e assim ela vai criando seus próprios brinquedos, suas histórias, divertindo-se e enriquecendo o seu mundo.

E se nesse trajeto ela tiver a presença afetiva dos pais ou responsáveis, suas descobertas e conquistas serão muito mais emocionantes! Então, de acordo com esse raciocínio, percebemos que brincar não é só um momento divertido na vida de uma criança. Essa atividade está relacionada com seu desenvolvimento de forma indiscutível. Diria, até, que é vital para que haja uma vida saudável em todos os sentidos. E não é só o brincar com o videogame, computador ou assistir programas de televisão – atividades tão rotineiras hoje em dia, infelizmente… É o brincar com a imaginação, deixar que elas tomem os objetos da casa e os transformem em fadas, monstros e espadas, castelos encantados, enfim, desde que não ofereça risco à criança, será essa fantasia atuada que permitirá que os pequenos representem a realidade a aprendam a lidar com ela.

Misturando a imaginação a coisas concretas do dia-a-dia, a criança constrói a sua capacidade de simbolização. Juntando objetos, símbolos, pessoas, situações, fantasias e sentimentos ela compõe uma imagem de si própria e de seu lugar no mundo. Por isso, brincar não é só brincar… É divertido sim, mas também é um trabalho e tanto!

É importante que os pais participem desses momentos, mas que isso não seja um peso, uma obrigação. É claro que a criança percebe quando o adulto está ali “sem querer estar”. E isso não promove todos os benefícios que o brincar proporciona. Estar com a criança é estar aberto ao que acontece naturalmente quando se cria um ambiente favorável, acolhedor, criativo. Quando se quer estar! É se jogar no chão, andar descalço, sujar a mão, fazer bagunça, fazer coisas estranhas, dançar, dar risada, cantar sem saber a letra da música e inventar na hora uma versão muito melhor que a original.

Casa arrumadinha e brincadeira de criança definitivamente são coisas que não combinam! Alguns pais podem indagar nesse momento sobre os limites. Pois bem, eles também são fundamentais para o crescimento saudável da criança, mas precisam ser apresentados no momento certo e de forma coerente. Hora da brincadeira é a hora de explorar, de experimentar, de tirar as coisas do armário, da gaveta, de guarda-las em lugares errados, espalhar brinquedos pelo chão. É lógico que o limite nesse momento terá que ser colocado para que se preserve a integridade da criança, dos pais e da casa em si – por exemplo: ela não poderá brincar com as facas que estão na gaveta da cozinha, nem sair colocando fogo na casa. Também faz parte limitar o espaço da brincadeira: o quarto, aquela parte da sala, o quintal, a varanda… e nesse espaço destinado ao brincar, a criança poderá exercer seu direito de ser criança. Só não vele deixar um espaço apertadinho, minúsculo, só por medo de bagunçar a casa… o negócio é fazer o seguinte combinado com a criança, independente de sua idade, ela vai entender: “você vai brincar, fazer bagunça, mas depois de acabar a brincadeira vamos guardar as coisas em seus lugares!”. Isso costuma funcionar muito bem!

Assim como a criança precisa de espaço para brincar, ela também precisa de tempo. Hoje em dia nos deparamos cada vez mais com crianças e suas agendas lotadas de compromissos: aula de inglês, balé, reforço escolar, futebol… Precisamos estar atentos a um ponto: quanto mais tempo a criança tiver para brincar, mais oportunidades terão de amadurecer de forma saudável. Compromissos com aulas de língua, esportes ou artes acabam estressando a criança muito cedo e impedindo justamente o desenvolvimento de sua criatividade.

E para terminar essa nossa pequena reflexão, gostaria de dar algumas dicas de brinquedos e brincadeiras mais adequadas ao processo criativo e à formação da criança como ser humano:

Crianças pequenas adoram brinquedos de encaixe, brinquedos de montar, brinquedos que produzam estímulos sonoros e visuais. Gostam de brincar de esconder, de brincadeiras que envolvam movimento. Papel e lápis de cor também são ótimos recursos para a criança desenvolver sua criatividade. Massinha de modelar ou argila, além de serem extremamente relaxantes, ajudam a criança em seu desenvolvimento psicomotor.

Para as maiores: contar histórias – tanto lendo em um livro infantil, como contando uma história que se tenha na memória e até mesmo criando histórias com as crianças. As que já estão na fase escolar podem adorar fazer teatrinho, imaginarem-se como personagens de contos de fadas ou simplesmente representarem cenas de sua vida cotidiana, experimentando diversos papéis. Brincar com sucata, criando os próprios brinquedos, também é uma ótima forma de promover um espaço criativo e tão importante ao desenvolvimento infantil.

E por fim, é importante dizer que a convivência com outras crianças também é fundamental nesse período. A troca e o contato com seus pares são fatos decisivos no desenvolvimento das relações sociais e todas as habilidades que esse cenário comporta. Em um mundo cada vez mais virtual e de espaços reduzidos – seja pela questão da violência ou simplesmente pelo estilo de vida da maior parte das famílias de hoje – os encontros reais tornam-se preciosidades que devem ser preservadas o máximo possível. A criança faz a parte dela naturalmente, mas para isso é preciso que o adulto / responsável dê condições e crie o espaço favorável para que ela possa ser quem ela é: criança!

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Interfaces entre as “inspirações” da Fenomenologia e a Psicoterapia

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Sobre Arteterapia…

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Sobre Psicologia do Desenvolvimento…

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Sobre a Psicoterapia Existencial

A condição humana nos impõe o contato com todo tipo de vivência possível – desde a mais tranqüila até a mais contraditória. E nesse processo, a angústia se faz presente, muitas vezes de forma insuportável.

É preciso, então, compreender aquilo que se aloja em nossa vida sem pedir licença, fazendo-nos restringir nossas vivências.

Isso é possível a partir da Psicoterapia Existencial, que se configura como uma proposta de atendimento psicológico que valoriza a vivência, a liberdade e a responsabilidade da pessoa, fazendo-a assumir uma postura ativa em seu processo psicoterápico, de forma que encontre novas formas de relação consigo, com os outros e com o mundo.

A Psicoterapia Existencial é a busca da compreensão de sua história de vida, é o desvelamento de novos significados a acontecimentos passados e presentes, é a possibilidade de construção de caminhos mais amplos e abrangentes, plenos de sentido.

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